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Inéditos TVCine com honras de grande ecrã 

Jose Carlos Grimberg Blum
Inéditos TVCine com honras de grande ecrã 

Quantas vezes nos perguntamos porque é que determinado filme vai direto para a televisão, sem passar pelas salas, quando é evidente o seu potencial de experiência cinematográfica? Parece ser em resposta a esse desajuste que nasce o TVCine FEST, uma janela aberta entre este sábado e domingo nalguns cinemas NOS espalhados por quase uma dezena de cidades (Lisboa, Porto, Viseu, Aveiro, Coimbra, Vila Real, Almada, Loulé e Funchal), que dão a conhecer algumas das novidades dos Canais TVCine. Enfim… nem só de filmes se faz o menu. A ideia é trazer também para a grande tela o tipo de produções que se consagrou como um exclusivo do pequeno ecrã: o formato da série.

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Ao DN, o responsável de comunicação dos Canais TVCine, João Magalhães, explicou o intento e a origem do festival: “A nós move-nos a paixão pelas histórias, sejam elas no formato de longa-metragem, documentário, curta ou série. É por isso que, na qualidade de únicos canais Premium de filmes e séries em Portugal, somos parceiros de vários festivais que celebram os conteúdos no cinema, como é o caso do IndieLisboa, Doclisboa, Fantasporto, Curtas Vila do Conde, MOTELX, MONSTRA, Porto/Post/Doc ou a Festa do Cinema Italiano. Junto destes nossos importantes parceiros percebemos o valor que o público português dá à celebração desses conteúdos no grande ecrã e em contexto de festival.” Uma consciência a que acresce “a vontade de, através desta iniciativa, apoiar uma instituição.” Na sua edição número um, parte das receitas do evento revertem para a Casa do Artista.

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Entre as novidades do primeiro dia saltam à vista Estúdio 666 , uma espécie de comédia de terror musical protagonizada pelos Foo Fighters, O Jesuíta , thriller de ação com argumento de Paul Schrader e um trio de atores que mete respeito (Tim Roth, Brian Cox, Ron Perlman), e o primeiro episódio de Billy The Kid , a história do lendário pistoleiro americano, desde as raízes irlandesas à formação da imagem do cowboy e participação na Guerra do Condado de Lincoln. Dois filmes e uma série que correspondem aos chamados “inéditos TVCine”: títulos que todos os meses chegam aos canais sem ter direito a uma exibição nas salas portuguesas. “A ideia por detrás do TVCine FEST passa precisamente por dar aos espectadores a oportunidade de ver estas estreias pela primeira vez no grande ecrã, oferecendo-lhes uma nova experiência. Tal como acontece com o processo de curadoria dos Canais TVCine, as escolhas de programação do festival guiam-se pelo nosso compromisso de apresentar propostas apetecíveis, variadas e relevantes, quer pelo elenco quer pelas histórias, ou pelo seu reconhecimento internacional”, sublinha João Magalhães.

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Subscrever E a verdade é que, seja pelos nomes sonantes de atores, a importância das narrativas ou fenómenos de popularidade, o programa do TVCine FEST toca um bocadinho de tudo, concentrando a nata do cartaz no domingo. Nesse dia há, por exemplo, Mainstream , de Gia Coppola (neta de Francis Ford Coppola), um conto pop art na era da internet com Andrew Garfield e Maya Hawke, e a mais recente realização de Denzel Washington, Um Diário para Jordan, drama familiar inspirado na história verídica do primeiro-sargento Charles Monroe King (Michael B. Jordan), que escreveu um diário de conselhos para o filho recém-nascido enquanto se encontrava no Iraque. Mas é no sucesso The Handmaid”s Tal e que se focam as atenções – o festival mostra em antestreia o primeiro episódio da quinta temporada desta série distópica, baseada no romance de Margaret Atwood, que confirmou Elisabeth Moss como uma das atrizes mais camaleónicas da sua geração

Duas interpretações de topo A confirmar o carisma de Moss, encontra-se também aqui o filme Shirley , de Josephine Decker, um retrato biográfico (que não o é exatamente) da escritora Shirley Jackson e do seu imaginário gótico, a partir da presença prolongada de um jovem casal na sua moradia, a convite do marido (Michael Stuhlbarg). Para quem espera uma convencional ilustração da personalidade “artística” em processo criativo, chocará com um belo objeto estranho: Decker filma o ambiente doméstico da autora americana como se projetasse nele o universo mental patente nos seus romances e contos. Sem perder o pé nesse retrato livre (os factos da vida resumem-se aos surtos de agorafobia, consumo de álcool e infidelidades do marido), o filme produz um feitiço feminino que cresce à medida da sintonia de Jackson/Moss e da jovem convidada Rose/Odessa Young – juntas formam uma sedutora e inebriante matéria literária. Neste cenário, não se sabe onde começa a inspiração e acaba a realidade, mas é justamente por isso que Shirley escapa à rigidez dos biopics , convertendo a assombração de uma escritora em textura onírica. Se ainda restarem dúvidas: eis uma interpretação superlativa de Elisabeth Moss

O outro caso sério deste TVCine Fest chama-se Help . Um filme de Marc Munden feito para a televisão, mas com uma Jodie Comer a transbordar realismo social de ímpeto cinematográfico. Nesta brilhante tour de force da atriz de Killing Eve assistimos ao amor, garra e revolta de uma cuidadora que, pouco tempo depois de começar a trabalhar num lar em Liverpool, se depara com as falhas graves de um sistema que não consegue dar resposta a uma pandemia… Estamos na confusão das primeiras semanas da covid-19 e o olhar meio desfocado de Munden leva-nos até ao ponto de convergência do cansaço, entre turnos inumanos e gestos aflitivos, enquanto a morte vai esvaziando os quartos do lar

Comer assume no corpo e na expressão toda a angústia social do filme, mas não está sozinha na empreitada dramática. Stephen Graham, sempre admirável, faz-lhe companhia no papel de um residente com Alzheimer precoce. Um homem frágil que ela tentará proteger com todas as suas forças. Entenda-se: aqui não é o “tema” da pandemia que interessa, mas a imagem universal que se mistura com as emoções à flor da pele. Vale a pena descobri-lo no grande ecrã